Por que a Igreja Católica acredita que Cristo está realmente presente na Eucaristia?

A doutrina católica da presença Real é a crença de que Jesus Cristo é, literalmente, não simbolicamente, presente na Sagrada Eucaristia — corpo, sangue, alma e divindade. Os católicos crêem na presença Real de Cristo na Eucaristia, porque Jesus nos diz que isto é verdade na Bíblia:
“Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, que um homem pode comer e não morrer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; Se qualquer um come deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Os judeus então disputada entre si, dizendo: ‘Como pode este homem nos dar sua carne a comer?’ Então Jesus disse-lhes: “verdadeiramente, verdadeiramente, eu digo a você, se não comerdes a carne do filho do homem e bebe seu sangue, não tereis vida em vós; Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e ele vai levantar no último dia. Para a minha carne é comida com efeito, e meu sangue é bebida de fato. Quem come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele”(John 06:48-56).

 

Além disso, os pais de igreja adiantados ou implicam ou diretamente do estado que o pão e o vinho oferecidos na celebração da ceia do senhor é realmente o corpo e o sangue de Jesus Cristo. Em outras palavras, a doutrina da presença Real que os católicos crêem hoje foi acredita pelos primeiros cristãos 2.000 anos atrás!

 

Este milagre da presença física de Deus para nós em todas as missas é o testemunho mais verdadeiro o amor de Cristo por nós e seu desejo para cada um de nós ter um relacionamento pessoal com ele.

 

Mais das escrituras sobre a presença Real de Cristo na Eucaristia
“A menos que você coma a carne do filho do homem e bebe seu sangue”

 

• (John 06:53-56 RSV) Então Jesus disse-lhes, “verdadeiramente, verdadeiramente, eu digo a você, se não comerdes a carne do filho do homem e bebe seu sangue, não tereis vida em vós; {54} ele quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e ele vai levantar no último dia. {55} Para minha carne é comida mesmo, e meu sangue é bebida de fato. {56} Ele quem come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele.

 

• No idioma aramaico que nosso Senhor falou, simbolicamente “comer carne” ou “beber o sangue” de alguém para perseguir ou agredimos. Consulte o seguinte… (Psa 27:2 KJV) Quando os ímpios, nem meus adversários e meus inimigos, vieram até mim para devorar minha carne, Eles tropeçaram e caíram.

 

• (09:18-20 De Isa RSV) pela maldade queima como o fogo, que consome sarças e espinhos; Ele desperta os arvoredos da floresta, e eles rolam para cima em uma coluna de fumaça. {19} Através a ira do Senhor dos exércitos, que a terra está queimada e as pessoas são como combustível para o fogo; nenhum homem não poupa o irmão dele. {20} Arrebatar a direita, mas ainda está com fome, e eles devoram a esquerda, mas não são satisfeitos; cada um devora a carne do seu vizinho,

 

• (Isa 49:26 RSV) vou fazer seus opressores coma sua própria carne, e eles devem estar bêbados com o próprio sangue como com vinho. Em seguida, toda a carne saberá que eu sou o senhor, seu Salvador e o teu Redentor, o poderoso um de Jacó.”

 

• (Miquéias 3:3 RSV) quem comer a carne do meu povo e esfolar sua pele off-los, quebrar seus ossos em pedaços e cortá-las como carne em uma chaleira, como carne em um caldeirão.

 

• (2 Sam 23:17 RSV) “longe seja de mim, Ó Senhor, que eu deveria fazer isso. Eu beberei o sangue dos homens que foi correndo o risco de suas vidas?” Portanto, ele não beberia. Essas coisas que os três homens poderosos.

 

• (Ap 17:6 RSV) e vi a mulher embriagada com o sangue dos Santos e o sangue dos mártires de Jesus. Quando eu vi ela eu se maravilhou grandemente.

 

• (17:16 NVI) a besta e os dez chifres que viste odiarão a prostituta. Eles vão levá-la à ruína e deixá-la nua; Eles vão comer sua carne e queimá-la com o fogo.

 

Assim, se Jesus estavam apenas falando simbolicamente comer sua carne e beber seu sangue, como dizem os protestantes, então o que ele realmente queria dizer era “quem persegue e assalta-me terão a vida eterna” — o que, claro, faz disparates da passagem!

 

Pão e vinho não são símbolos normais ou naturais de carne e osso. Para chamar um homem uma “raposa” é um símbolo compreensível por esperteza. Para chamar um homem de “pão” não é um símbolo compreensível, sem uma explicação. Os símbolos teria sido claramente explicados (que não é o caso), ou Jesus falou literalmente (que é o caso!).
Texto traduzido de forma automatizada caso haja erros.

Igreja Católica critica nova lei por “facilitar o aborto”

Rio de Janeiro – O Episcopado brasileiro criticou na sexta-feira a aprovação de uma nova lei que obriga à distribuição de pílulas do dia seguinte a vítimas de violação por considerar que “facilita o aborto”.

A lei, aprovada de forma unânime no Congresso brasileiro, foi ratificada na quinta-feira pela Presidente, Dilma Rousseff, que não vetou nenhum artigo como pediam as igrejas católica e evangélica.

O Episcopado constatou que a lei foi aprovada de forma rápida e sem um “necessário debate parlamentar e público”, o que gerou “imprecisões” no texto que abrem caminho ao aborto.

A Igreja Católica pedia o veto do artigo que obriga os centros de saúde públicos a distribuírem a pílula do dia seguinte a mulheres violadas e de outro que se refere ao dever de informar as vítimas do seu direito de abortar, protegido por lei.

A Igreja queria ainda a anulação do artigo do diploma em que a violência sexual é definida como “qualquer forma de actividade sexual não consentida”.

“Dependendo da forma como for interpretada, entre outras coisas, (a lei) pode interferir com o direito constitucional de objecção de consciência, incluindo o respeito incondicional pela vida humana individual já existente e em desenvolvimento no útero materno, facilitando a prática do aborto”, refere um comunicado do Episcopado.

A secretária de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, defendeu que a nova lei significa “respeito pelas mulheres que sofrem de violência sexual”.

No Brasil, o aborto é legal apenas em casos de violação, quando a gravidez coloca em risco a vida da mãe e quando o fecto não tem cérebro.

Igreja Católica no debate sobre migração nos EUA

Um relato oficial do Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos, publicado dia 29, aponta que, se for aprovada a reforma da imigração, um entre quatro imigrantes sem documentos que vivem no país não serão capazes de regularizar sua situação. Isso porque faltará algum dos requisitos ou porque não serão capazes de terminarem as práticas. Dessa forma, dos mais de 11 milhões de imigrantes ilegais que se calcula viverem nos EUA, serão cerca de 8 milhões na tentativa de conseguir a cidadania.

Há algumas semanas, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma lei de reforma que prevê um percurso de legalização para os imigrantes sem documentos. A aprovação do projeto da parte da Câmara dos Representantes foi complicada devido à oposição de muitos legisladores republicanos. Entre outras coisas, eles não queriam que, por meio desta reforma, a cidadania americana fosse concedida aos imigrantes sem documentos para que possam legalizar suas situações.

A Agência Fides recebeu a opinião expressa há poucos dias pelo Arcebispo de Los Angeles, Dom José H. Gómez, Presidente da Comissão pelos Migrantes da Conferência Episcopal, acerca da aprovação da lei: “Justamente por sermos da Igreja Católica é que nos interessa o debate sobre a imigração. É um debate sobre o futuro da Igreja e nosso povo católico. Os mexicanos e latino-americanos no centro dessa polêmica, milhões de pessoas cujos destinos são decididos por nossos políticos, são – em grande parte – fiéis católicos”.

O Arcebispo ainda salienta que a Igreja não leva em conta a proveniência de seus fiéis, mas calcula esse número através dos batismos das crianças. “Los Angeles, por exemplo, há uma média de cerca de 84.000 recém-nascidos e crianças ao ano. A maior parte deles são hispânicos e de outras minorias étnicas”.

Igreja Católica ajudará a buscar crianças roubadas na ditadura

A Igreja Católica se compromete a ajudar na busca de filhos de desaparecidos roubados durante a ditadura argentina (1976/83), após o pedido neste sentido realizado ao papa Francisco pelas Avós da Praça de Maio, informou a própria entidade nesta segunda-feira.

 

“O presidente da Conferência Episcopal Argentina se comprometeu a colaborar com a busca dos netos e netas roubados”, assinala um comunicado da organização humanitária emitido após uma reunião com monsenhor José María Arancedo, em Buenos Aires.

 

Este é o primeiro resultado concreto obtido pelas Avós da Praça de Maio decorrente da audiência que mantiveram com o Papa no dia 24 de abril passado, na Praça de São Pedro, no qual Francisco ouviu as queixas e respondeu: “contem comigo”.

 

As Avós, que já conseguiram recuperar a identidade de 108 das 500 crianças roubadas ao nascer em prisões clandestinas, pedem à Igreja que abra seus arquivos, em particular os do Movimento Familiar Cristão, que parece vinculado a adoções irregulares de crianças durante o regime militar. “Arancedo se mostrou permeável e disposto a colaborar com os pedidos das Avós e garantiu que a Igreja ‘já está trabalhando no tema”, assinala o comunicado.

 

A Avós entregaram uma lista de possíveis medidas para que “a promessa se converta em ação”. Neste sentido, pediram que se solicite “ao Movimento Familiar Cristão toda a informação em seu poder sobre crianças entregues para adoção durante a última ditadura”.

 

O grupo recorda que “duas netas foram entregues através desta instituição leiga, que mantinha um estreito vínculo com a Igreja”. As Avós também pedem cópias dos registros de batismo entre 1976 e 1983 em algumas “capelas onde supostamente foram batizados netos procurados”.

Igreja Católica vive o espírito da revitalização com Papa Francisco

Desde o momento em que pisou no solo brasileiro, Papa Francisco deixou evidente para o mundo o perfil do papado, não permitindo que protocolos interfiram no que ele mais preza como líder mundial da Igreja Católica: estar perto dos fiéis. Em sua primeira viagem internacional, Jorge Bergoglio surpreendeu jovens e adultos de todas as religiões com atitudes simples,  discursos diretos e firmes, gestos sinceros e, principalmente, a quebra de regras oficiais para estar tão próximo ao seu “rebanho” a ponto de tocá-lo, o que para muitos católicos representou um “verdadeiro milagre”.

A coerência naquilo que prega e pratica no cotidiano é uma marca de Bergoglio desde o tempo em que era cardeal em Buenos Aires. A sua passagem pelo Brasil despertou nos religiosos e teólogos o sentimento que antes se distanciava do mundo, o da certeza que a Igreja Católica conseguirá reconquistar os fiéis de se “desgarraram” ao longo dos últimos anos. Papa Francisco chegou à Santa Sé com uma missão que parecia complicada, mas a sua visita ao Brasil mudou os pensamentos dos mais incrédulos e a Igreja Católica sai da Jornada Mundial da Juventude com um saldo positivo e animador, apesar de tantos “tropeços” provocados pelo não cumprimento de um protocolo estabelecido pelo Vaticano.

A teóloga Maria Clara Bingemer é autora do livro O Mistério e o mundo – Paixão por Deus em tempos de descrença, que avalia a crise das religiões provocadas por mudanças culturais em todo mundo. Ela avalia pontos importantes da visita do Papa Francisco ao Brasil na entrevista que concedeu ao Jornal do Brasil:

Jornal do Brasil – Vaticano passa atualmente por profundas transformações. A senhora acha que o Papa Francisco chegou à Santa Sé para mudar, de imediato, a imagem da Igreja Católica?  

Maria Clara Bingemer – Acho que isto é um fato que ninguém pode negar. O Papa Francisco mudou a imagem da igreja em dias, já pouco depois de sua eleição. Instaurou um estilo mais casual, mais próximo, mais pessoal, que fala muito mais ao coração das pessoas. Com os jovens então é surpreendente o sucesso de sua comunicação. A gente sente que os jovens entendem o que ele fala, sintonizam com seu estilo de ser e de atuar. Acredito que isso pode ter uma influência benéfica para o futuro imediato da Igreja Católica, que perdeu tantos fiéis. Sobretudo, o que acho melhor de tudo é  a insistência dele em uma igreja mais pró-ativa, que não fique trancada na sacristia, que saia para a rua e vá ao encontro das pessoas. Sua declaração em um dos discursos no Rio: “quiero lío en las diocesis…”. Ou seja, “quero agito nas dioceses…”. É original e fantástica para animar o espírito missionário.

Jornal do Brasil – Pelo pouco tempo de pontificado, dá para arriscar como será a postura do Papa Francisco na missão de mudar o Vaticano?

Maria Clara Bingemer  – Acho que dá para avaliar que ele fará uma reforma séria e não superficial, só para constar. Creio, porém, que não devemos nos iludir. Há pontos muito difíceis de serem modificados e mexer. Há muita gente a quem não interessa muito que as coisas sejam mudadas ou reformadas. Mas  ele tem demonstrado que as coisas que acha que devem ser feitas, ele as fará. Por isso, acredito que uma boa parte das coisas será feita.

Jornal do Brasil – Os teólogos criaram uma expectativa enorme com a vista do Papa, inclusive prevendo muitas surpresas. E o Papa realmente chegou quebrando protocolo, esbanjando simplicidade, criando polêmicas. Daquelas expectativas dos teólogos, o que se confirmou e o que mudou com a passagem do Papa Francisco pelo Rio?

Maria Clara Bingemer- Para os teólogos realmente a impressão é das melhores.  Até este momento ele só tem dado mostras que quer voltar à boa teologia do Vaticano, que estava muito esquecida nos pontificados anteriores.  Ele tem uma visão de igreja muito positiva, realmente igreja como povo de Deus e não piramidal, sociedade perfeita. Além disso, tem reabilitado muito a teologia da libertação, com a ênfase que está dando à justiça social e à opção pelos pobres.

Jornal do Brasil –  Vendo de tão perto, aqui do Brasil, qual a imagem do Papa Francisco que deve ficar para os católicos brasileiros, turistas no Rio e para o mundo, considerando que esta é a primeira viagem internacional do pontífice?

Maria Clara Bingemer- Fica um perfil de carinho, proximidade, simpatia.  Gestos diretos, de proximidade, simplicidade. E um discurso claro, inteligível, ressaltando todo este aspecto missionário da igreja, que tem que sair e ir até as pessoas. Os católicos brasileiros estão agora com orgulho de ser católicos e sem medo de demonstrá-lo e apregoá-lo aos quatro ventos.

Jornal do Brasil – E considerando que esse fato histórico aconteceu na Jornada Mundial da Juventude, qual a mensagem que a Papa deixou para os jovens de todas as nacionalidades?

Maria Clara Bingemer – Para os jovens fica uma mensagem de esperança, de encorajamento para assumir com coragem sua missão de testemunhas do evangelho. E um alerta contra os ídolos que lhes esvaziam o sentido da vida e os mercadores da morte, que lhes oferecem as substâncias químicas que os matam.

Jornal do Brasil – A quebra de protocolo surpreendeu. O que esse fato pode representar na comunicação do Papa com a comunidade católica no mundo e as expectativas que ficam para as próximas viagens a outros países. Ele deve manter essa postura em outros lugares?

Maria Clara Bingemer  – Isso eu acho que é o melhor dele. Esse dom de surpreender todo mundo com simplicidade, gentileza, amabilidade, simpatia e alegria. E algo que eu acho que ele não deixará de fazer, que aliás eu espero que ele não deixe de fazer. Porque dá uma nova imagem ao papado e a igreja católica. Vai ser muito importante nestas viagens que ele fará pelo mundo.

Jornal do Brasil – No seu último livro, “O mistério e o mundo”, a senhora avalia de alguma forma a missão do Papa e a nova Igreja Católica?

Maria Clara Bingemer  – Neste livro eu não analiso a missão do Papa.  Faço sim, uma analise da situação da religião e do Cristianismo nesta sociedade secularizada e plural. E justamente constato que o Cristianismo e a religião, em geral, foram perdendo espaço. Mas ao mesmo tempo, a sede de Deus não desapareceu do coração humano e os místicos contemporâneos são uma prova disso, com suas experiências de união com o mistério divino que gera atitudes éticas, transformadoras, impressionantes e profundas, ainda que não dentro dos moldes normalmente oficializados pela instituição.

Jornal do Brasil – Pelos discursos do Papa no Rio, nos eventos da JMJ, o que podemos esperar de seu governo no Vaticano?

Maria Clara Bingemer  – Penso que ele vai se esforçar para, além das reformas internas, reforçar esse novo rosto externo do Vaticano e da igreja. Vai relativizar tudo que é burocrático, institucional rígido, fora de moda e afastado da vida real das pessoas, para mostrar que o evangelho é libertador. Vai insistir na simplicidade e no despojamento como sinais reais que devem revestir àqueles que são testemunhas de Jesus Cristo no mundo de hoje.

Jornal do Brasil – E as manifestações populares e até atos que vandalismo que ocorreram pelas ruas do Rio de Janeiro enquanto o Papa Francisco visitava a cidade, de alguma forma atrapalharam a participação dele na JMJ?

Maria Clara Bingemer  – Penso que as especulações de alguns de que as manifestações tinham o objetivo de desestabilizar a visita do papa não procedem. Acho que o papa aprovaria muito as manifestações e suas revindicações. Não certamente os atos de vandalismo e violência. Depois da missa em Copacabana, foi bonito ver manifestantes e peregrinos confraternizando e estando juntos de certa maneira. No fundo, lutam por um mundo melhor e este sempre foi uma das vertentes mais fundamentais do evangelho.

Papa Francisco deixa doações para Varginha e Hospital São Francisco

Rio de Janeiro (Terça-feira, 30-07-2013, Gaudium Press) Segundo informações do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom DESTAQUE.jpgOrani João Tempesta, o Papa Francisco havia deixado contribuições financeiras para a comunidade de Varginha, localizada na Região Norte do Rio de Janeiro, e para o Hospital São Francisco de Assis da Providência de Deus, locais carentes que visitou durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Na comunidade localizada no Complexo de Manguinhos, o valor será investido em melhorias a serem definidas pelos moradores. Já no Hospital São Francisco, a doação servirá para uma sala de atendimento especial, utilizada para pacientes que se encontram em estado grave. (LMI)

Com informações A12

Corpo de Frei Fernando Rossi é velado em Quebrangulo, Alagoas

O corpo de Frei Fernando Rossi, conhecido por acompanhar Frei Damião em  peregrinações, está sendo velado na Igreja da Vila São Francisco, no município de Quebrangulo, interior de Alagoas. O enterro acorrerá na quarta-feira (31) às 10h e a expectativa é de que fiéis de várias partes do Nordeste prestem as últimas homenagens ao religioso. O local ainda do sepultamento ainda não foi confirmado pelo bispo da cidade de Palmeira dos Índios, Dulcênio Fontes.

O Frei Fernando Rossi faleceu na tarde de domingo (28) no Hospital Regional Santa Rita, em Palmeira dos Índios, município que fica a 135 km da capital alagoana. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde a noite da quinta-feira (25).

Com 95 anos de idade e vivendo há 16 anos na Vila São Francisco, povoado do município de Quebrangulo, o Frei Fernando Rossi foi a óbito, segundo o laudo médico, após apresentar complicações devido a uma doença pulmonar obstrutiva crônica e infecção genealizada.

Frei Fernando nasceu na Itália em 20 de julho de 1918. Ele estudou 13 anos em um seminário até ser ordenado padre no dia 29 de fevereiro de 1942. Quatro anos depois, seus superiores italianos o enviaram ao Brasil, especificamente, para Recife, em 1947, quando recebeu ordens para acompanhar o missionário Frei Damião nas missões. Ele acompanhou o religioso foi companheiro durante 50 anos. Ao lado dele percorreu todo o Nordeste do Brasil em missões, procissões e na pregação do Evangelho de Cristo.

E fez isso até a morte de Frei Damião, em 31 de maio de 1997. O frei residiu por 17 anos no Convento de São Félix de Cantalice, bairro do Pina, em Recife, até que o ministro-geral da Ordem, John Corriveau, passou a administração do convento para os religiosos brasileiros. Depois disso, ele mudou para a Vila de São Francisco, onde passou 16 anos.

Evangelho 29/07/13

Evangelho – Jo 11,19-27

Eu creio firmemente
que tu és o Messias, o Filho de Deus.

 + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 11,19-27

Naquele tempo,
19 Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria
para as consolar por causa do irmão.
20 Quando Marta soube que Jesus tinha chegado,
foi ao encontro dele.
Maria ficou sentada em casa.
21 Então Marta disse a Jesus:
“Senhor, se tivesses estado aqui,
meu irmão não teria morrido.
22 Mas mesmo assim, eu sei que
o que pedires a Deus, ele to concederá”.
23 Respondeu-lhe Jesus:
“Teu irmão ressuscitará”.
24 Disse Marta:
“Eu sei que ele ressuscitará
na ressurreição, no último dia”.
25 Então Jesus disse:
“Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá.
26 E todo aquele que vive e crê em mim,
não morrerá jamais.
Crês isto?”
27 Respondeu ela:
“Sim, Senhor, eu creio firmemente
que tu és o Messias, o Filho de Deus,
que devia vir ao mundo”.
Palavra da Salvação.

 

Evangelho – Lc 10,38-42

Marta recebeu-o em sua casa.
Maria escolheu a melhor parte.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 10,38-42.

Naquele tempo:
38 Jesus entrou num povoado,
e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa.
39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor,
e escutava a sua palavra.
40 Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres.
Ela aproximou-se e disse:
‘Senhor, não te importas que minha irmó
me deixe sozinha, com todo o serviço?
Manda que ela me venha ajudar!’
41 O Senhor, porém, lhe respondeu:
‘Marta, Marta! Tu te preocupas
e andas agitada por muitas coisas.
42 Porém, uma só coisa é necessária.
Maria escolheu a melhor parte
e esta não lhe será tirada.’
Palavra da Salvação.

Jornada injeta R$ 1,8 bilhão no Rio

RIO – A multidão de fiéis que passou pelo Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) parecia, a princípio, heterogênea e indecifrável. Mas só a princípio. O peregrino que esteve na cidade era, em sua maioria, mulher, nascida em São Paulo, com idade entre 21 e 24 anos e aluna do ensino superior. Além disso, nunca havia estado no Rio. Durante o evento, desembolsou uma média diária de R$ 49,70 — e isso, somado aos gastos dos estrangeiros, resultou em um impacto econômico na cidade 17 vezes maior do que a Copa das Confederações, realizada em junho.

Foram estas as conclusões de pesquisa feita por cinco professores e 20 alunos da Faculdade de Turismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com a Secretaria estadual de Turismo, entre os dias 23 e 25 deste mês, com os peregrinos que circularam por Copacabana e Quinta da Boa Vista. A pesquisa ouviu 1.358 fiéis e conseguiu, além de descobrir o perfil do peregrino, calcular o volume de recursos injetado na cidade.

— Foi um total de R$ 1,8 bilhão — revela, sem negar a surpresa, o professor Osiris Marques, logo depois de tabular os dados recolhidos pela equipe. — Comparado à Copa das Confederações, que trouxe ao Rio R$ 105 milhões no mês passado, a JMJ foi bem mais poderosa. Dezessete vezes maior.

Os peregrinos que vieram do exterior tiveram despesas de R$ 81,30 por dia:

— Os estrangeiros gastaram quase o dobro, porque o turista internacional costuma viajar com mais dinheiro e está mais disposto a gastar— diz Marques.

Na Copa das Confederações, os turistas gastaram mais, em média R$ 209,9 por dia, no caso dos brasileiros; ou R$ 230,60, no caso dos estrangeiros. Porém, o impacto econômico da Jornada foi maior devido ao gigantismo do evento: 1,3 milhão de turistas, contra 37 mil que vieram ao Rio na Copa das Confederações. Além disso, segundo Marques, os peregrinos passaram dez dias na cidade, o dobro da permanência dos turistas da Copa das Confederações. Alguns fiéis chegaram a ficar mais de 15 dias no Rio.

A pesquisa, concluída na sexta-feira, constatou ainda que 62% dos peregrinos eram brasileiros. Dos que vivem no Brasil, 18% vieram do estado de São Paulo. Em segundo lugar no ranking apareceram os mineiros, com 8% de participação, e, em terceiro, os cearenses, com 7% de presença.

Venda de pastéis para pagar a viagem

No que diz respeito ao gênero, as mulheres foram maioria, com 56% do total. No quesito idade, ficou evidente que o objetivo da Jornada foi atingido em cheio: 64,8% dos participantes tinham entre 16 e 24 anos, sendo que a faixa etária de 21 a 24 anos respondeu por quase um quarto do total de fiéis.

Paulista de Presidente Prudente e com 22 anos, Ana Paula Damasceno é um exemplo do perfil típico do peregrino. Ela passou os sábados e os domingos dos últimos meses vendendo pizzas, pastéis e rifas na porta de sua igreja. Com o montante arrecadado após cada missa, conseguiu pagar a viagem de 40 jovens. Todos eles a acompanharam na Jornada.

— Eu estou hospedada numa casa de família no Méier que também recebe outras seis meninas. Todas de São Paulo. Pegamos um trem e dois ônibus todos os dias para chegar a Copacabana, mas estamos adorando — conta ela. — Viemos à Jornada para conhecer o Papa Francisco e também para encontrar pessoas de outras culturas, de outros países, que acreditam no nosso Deus. É algo muito forte o que está acontecendo aqui.

Motivo: ver o Papa

O carisma do Papa Francisco — o primeiro jesuíta e o primeiro latino-americano a ocupar o cargo — aparece na pesquisa. Entre os peregrinos brasileiros, 23,3% responderam que ele, e exclusivamente ele, era a razão da viagem à cidade. Entre os estrangeiros, o índice foi ainda maior, com 35,5% do peregrinos afirmando que haviam cruzado as fronteiras de seus países para ver Francisco.

— O turismo religioso no Brasil sempre foi muito pontual. Costuma acontecer em Aparecida (SP) e em Belém do Pará, durante o Círio de Nazaré — comenta o professor Marques. — Na equipe, estamos impressionados com a força do evento e com o poder que ele terá para preencher as lacunas que normalmente são deixadas no setor por conta da sazonalidade do turismo. Trata-se de um evento muito forte.

Entre os fiéis brasileiros, 68% nunca havia estado no Rio antes. Entre os estrangeiros, 87% visitaram a cidade pela primeira vez na semana passada. A escolaridade entre os peregrinos católicos revelou-se alta. De acordo com a pesquisa, quase 40% daqueles que transitaram pelo Rio de Janeiro na última semana têm graduação, e 34%, ensino médio completos.

Estudante de matemática da Universidade de Franca, a paulista Fernanda Taveira, de 23 anos, nunca havia estado no Rio. Em 2005, quando tinha apenas 15 anos, juntou dinheiro e cruzou o Atlântico para ir à Jornada Mundial da Juventude em Colônia, na Alemanha. E, segundo ela, não perderia a edição brasileira por nada nesse mundo.

— Para pagar a inscrição (que custou R$ 575), vendi mais de 700 pingentes de colar feitos pelo meu namorado, que é ourives — conta ela, mostrando o símbolo da Jornada esculpido em ouro e prata. — Cada um custava R$ 30 e, com o dinheiro que juntei, consegui pagar a inscrição e a viagem de quase dez pessoas.

Fernanda e o namorado, o ourives Eduardo Abdalla, estão hospedados numa escola pública em Engenho da Rainha, na Zona Norte do Rio. Apesar da distância de Copacabana e do tumulto que encontraram no sistema de transporte, o casal sorri. Está feliz por ter a chance de estar perto do Papa Francisco.

Júlia Ribeiro veio da capital paulista. Aluna do curso de economia da Universidade de São Paulo (USP), hospedou-se num galpão no Cais do Porto junto com outras 700 pessoas.

— Sou batizada, crismada, estudei em colégio católico até a 8ª série e vou à missa todos os domingos — conta.

Papa critica bispos e pede reforma da Igreja em seu discurso

 

Pontífice recomendou aos bispos que se aproximem dos fiéis - Reprodução

Reprodução
Pontífice recomendou aos bispos que se aproximem dos fiéis

RIO – Um ataque ao abuso de poder na Igreja, à mentalidade de “príncipes” entre os cardeais, à inclusão de ideologias sociais no Evangelho – tanto marxista como liberal – e uma denúncia frontal contra o carreirismo e contra a distância imposta pelos bispos aos fiéis. Em um duro e longo discurso, considerado o principal de seu pontificado até agora, no encontro com o Comitê de Coordenação do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), o papa Francisco apelou por uma Igreja “atual” e apresentou um raio X dos problemas da Igreja que, segundo ele, estão impedindo seu crescimento e fazendo proliferar sua “imaturidade”.

Sem meias-palavras, Francisco alerta: a Igreja está “atrasada” e mantém “estruturas caducas”. Para ele, chegou o momento de a Igreja entender que precisa se modernizar e deixar de viver de tradições ou apenas de vender esperanças para o futuro. A ocasião escolhida para apresentar seu “programa de governo” para tentar reconstruir a Igreja foi a reunião que manteve com os cardeais latino-americanos, neste domingo, no Rio. “Toda a projeção utópica (para o futuro) ou restauracionista (para o passado) não é do espírito bom. Deus é real e se manifesta no ‘hoje’”, declarou. “O ‘hoje’ é o que mais se parece com a eternidade; mais ainda: o ‘hoje’ é uma centelha de eternidade. No ‘hoje’, se joga a vida eterna”, insistiu.

“O que derruba as estruturas caducas, o que leva a mudar os corações dos cristãos é justamente a missionariedade”, declarou, lembrando que isso “exige gerar a consciência de uma Igreja que se organiza para servir a todos os batizados e homens de boa vontade”. “O discipulado-missionário é o caminho que Deus quer para a Igreja ‘hoje’” .

Francisco, porém, ao apresentar essa estratégia como forma de reconquistar fiéis e retomar a posição de influência da Igreja, alertou justamente para vícios e tentações que a instituição atravessa e que precisa abandonar para poder retomar sua credibilidade.

“A opção pela missionariedade do discípulo sofrerá tentações”, alertou. “É importante saber por onde entra o espírito mau, para nos ajudar no discernimento. Não se trata de sair à caça de demônios, mas simplesmente de lucidez e prudência evangélicas”, disse. Para ele, essas tentações ameaçam “deter e até fazer fracassar” a ação pastoral.

Uma delas seria a “ideologização da mensagem evangélica”, numa primeira referência direta contra tendências que ganharam força na América Latina nos anos 70 e que foram combatidas pelo Vaticano com dureza. “Essa é uma tentação que se verificou na Igreja desde o início e, em alguns momentos, foi muito forte”, disse. Para o papa, uma dessas ameaças de ideologização é o “reducionismo socializante”. O argentino, porém, faz questão de atacar não apenas a Teologia da Libertação, mas também tendências liberais. “A tentação engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até a categorização marxista”, declarou.

O resultado disso tudo, segundo o papa, é uma Igreja com “falta de maturidade adulta e de liberdade cristã”. “Ou essa Igreja não cresce ou se abriga sob coberturas de ideologizações”, atacou.

Príncipes. A superação dessa crise, segundo o papa, exigirá bispos com novas atitudes. Para ele, são pessoas que devem “guiar”, não comandar. “O perfil do bispo deve ser de pastores, próximos das pessoas, homens que amem a pobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida.

Homens que não tenham ‘psicologia de príncipes’”, disse, numa referência aos termos que são usados em Roma para descrever os cardeais. “Homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja sem viver na expectativa de outra”, insistiu.

Francisco alertou que não está criando nada novo ao pedir que os bispos se aproximem dos fiéis. Mas criticou abertamente a Igreja latino-americana. “Na América Latina e no Caribe, existem pastorais ‘distantes’, pastorais disciplinares que privilegiam os princípios, as condutas, os procedimentos organizacionais… obviamente sem proximidade, sem ternura, nem carinho. Há pastorais posicionadas com tal dose de distância que são incapazes de conseguir o encontro: encontro com Jesus Cristo, encontro com os irmãos”, disse.

Leia a íntegra do discurso no encontro com o Comitê de Coordenação do Celam no Centro de Estudos do Sumaré:

Agradeço ao Senhor por esta oportunidade de poder falar com vocês, Irmãos Bispos responsáveis do Celam no quadriênio 2011-2015. Há 57 anos que o Celam serve as 22 Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe, colaborando solidária e subsidiariamente para promover, incentivar e dinamizar a colegialidade episcopal e a comunhão entre as Igrejas da região e seus pastores.
Como vocês, também eu sou testemunha do forte impulso do Espírito na V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em Aparecida no mês de maio de 2007, que continua animando os trabalhos do Celam para a anelada renovação das Igrejas particulares. Em boa parte delas, essa renovação já está em andamento. Gostaria de centrar esta conversação no patrimônio herdado daquele encontro fraterno e que todos batizamos como Missão Continental.
Características peculiares de Aparecida
Existem quatro características típicas da referida V Conferência. Constituem como que quatro colunas do desenvolvimento de Aparecida que lhe dão a sua originalidade.
1) Início sem documento
Medelín, Puebla e Santo Domingo começaram os seus trabalhos com um caminho preparatório que culminou em uma espécie de Instrumentum laboris, com base no qual se desenrolou a discussão, a reflexão e a aprovação do documento final. Em vez disso, Aparecida promoveu a participação das Igrejas particulares como caminho de preparação que culminou em um documento de síntese. Este documento, embora tenha sido ponto de referência durante a V Conferência Geral, não foi assumido como documento de partida. O trabalho inicial foi pôr em comum as preocupações dos pastores perante a mudança de época e a necessidade de recuperar a vida de discípulo e missionário com que Cristo fundou a Igreja.
2) Ambiente de oração com o Povo de Deus
É importante lembrar o ambiente de oração gerado pela partilha diária da Eucaristia e de outros momentos litúrgicos, tendo sido sempre acompanhados pelo Povo de Deus. Além disso, realizando-se os trabalhos na cripta do Santuário, a “música de fundo” que os acompanhava era constituída pelos cânticos e as orações dos fiéis.
3) Documento que se prolonga em compromisso, com a Missão Continental
Neste contexto de oração e vivência de fé, surgiu o desejo de um novo Pentecostes para a Igreja e o compromisso da Missão Continental. Aparecida não termina com um documento, mas prolonga-se na Missão Continental.
4) A presença de Nossa Senhora, Mãe da América
É a primeira Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe que se realiza em um Santuário mariano.
Dimensões da Missão Continental. A Missão Continental está projetada em duas dimensões: programática e paradigmática. A missão programática, como o próprio nome indica, consiste na realização de atos de índole missionária. A missão paradigmática, por sua vez, implica colocar em chave missionária a atividade habitual das Igrejas particulares. Em consequência disso, evidentemente, verifica-se toda uma dinâmica de reforma das estruturas eclesiais. A “mudança de estruturas” (de caducas a novas) não é fruto de um estudo de organização do organograma funcional eclesiástico, de que resultaria uma reorganização estática, mas é consequência da dinâmica da missão. O que derruba as estruturas caducas, o que leva a mudar os corações dos cristãos é justamente a missionariedade. Daqui a importância da missão paradigmática.

A Missão Continental, tanto programática como paradigmática, exige gerar a consciência de uma Igreja que se organiza para servir a todos os batizados e homens de boa vontade. O discípulo de Cristo não é uma pessoa isolada em uma espiritualidade intimista, mas uma pessoa em comunidade para se dar aos outros. Portanto, a Missão Continental implica pertença eclesial.

Uma posição como esta, que começa pelo discipulado missionário e implica entender a identidade do cristão como pertença eclesial, pede que explicitemos quais são os desafios vigentes da missionariedade discipular. Me limito a assinalar dois: a renovação interna da Igreja e o diálogo com o mundo atual.
Renovação interna da Igreja

Aparecida propôs como necessária a Conversão Pastoral. Esta conversão implica acreditar na Boa Nova, acreditar em Jesus Cristo portador do Reino de Deus, em sua irrupção no mundo, em sua presença vitoriosa sobre o mal; acreditar na assistência e guia do Espírito Santo; acreditar na Igreja, Corpo de Cristo e prolongamento do dinamismo da Encarnação.
Neste sentido, é necessário que nos interroguemos, como pastores, sobre o andamento das Igrejas a que presidimos.
Estas perguntas servem de guia para examinar o estado das dioceses quanto à adoção do espírito de Aparecida, e são perguntas que é conveniente pôr-nos, muitas vezes, como exame de consciência.

1. Procuramos que o nosso trabalho e o de nossos presbíteros seja mais pastoral que administrativo? Quem é o principal beneficiário do trabalho eclesial, a Igreja como organização ou o Povo de Deus na sua totalidade?
2. Superamos a tentação de tratar de forma reativa os problemas complexos que surgem? Criamos um hábito proativo? Promovemos espaços e ocasiões para manifestar a misericórdia de Deus? Estamos conscientes da responsabilidade de repensar as atitudes pastorais e o funcionamento das estruturas eclesiais, buscando o bem dos fiéis e da sociedade?
3. Na prática, fazemos os fiéis leigos participantes da missão? Oferecemos a palavra de Deus e os sacramentos com consciência e convicção claras de que o Espírito se manifesta neles?
4. Temos como critério habitual o discernimento pastoral, servindo-nos dos Conselhos Diocesanos? Tanto estes como os Conselhos paroquiais de Pastoral e de Assuntos Econômicos são espaços reais para a participação laical na consulta, organização e planejamento pastoral? O bom funcionamento dos Conselhos é determinante. Acho que estamos muito atrasados nisso.
5. Nós, Pastores Bispos e Presbíteros, temos consciência e convicção da missão dos fiéis e lhes damos a liberdade para irem discernindo, de acordo com o seu processo de discípulos, a missão que o Senhor lhes confia? Apoiamo-los e acompanhamos, superando qualquer tentação de manipulação ou indevida submissão? Estamos sempre abertos para nos deixarmos interpelar pela busca do bem da Igreja e da sua
Missão no mundo?
6. Os agentes de pastoral e os fiéis em geral sentem-se parte da Igreja, identificam-se com ela e aproximam-na dos batizados indiferentes e afastados?
Como se pode ver, aqui estão em jogo atitudes. A Conversão Pastoral diz respeito, principalmente, às atitudes e a uma reforma de vida. Uma mudança de atitudes é necessariamente dinâmica: “entra em processo” e só é possível moderá-lo acompanhando-o e discernindo-o. É importante ter sempre presente que a bússola, para não se perder nesse caminho, é a identidade católica concebida como pertença eclesial.

Diálogo com o mundo atual
Faz-nos bem lembrar estas palavras do Concílio Vaticano II: As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e atribulados, são também alegrias e esperanças, tristezas e angústias dos discípulos de Cristo. Aqui reside o fundamento do diálogo com o mundo atual.

A resposta às questões existenciais do homem de hoje, especialmente das novas gerações, atendendo à sua linguagem, entranha uma mudança fecunda que devemos realizar com a ajuda do Evangelho, do Magistério e da Doutrina Social da Igreja. Os cenários e areópagos são os mais variados. Por exemplo, em uma mesma cidade, existem vários imaginários coletivos que configuram “diferentes cidades”. Se continuarmos apenas com os parâmetros da “cultura de sempre”, fundamentalmente uma cultura de base rural, o resultado acabará anulando a força do Espírito Santo. Deus está em toda a parte: há que saber descobri-lo para poder anunciá-lo no idioma dessa cultura; e cada realidade, cada idioma tem um ritmo diferente.

Algumas tentações contra o discipulado missionário
A opção pela missionariedade do discípulo sofrerá tentações. É importante saber por onde entra o espírito mau, para nos ajudar no discernimento. Não se trata de sair à caça de demônios, mas simplesmente de lucidez e prudência evangélicas. Limito-me a mencionar algumas atitudes que configuram uma Igreja “tentada”. Trata-se de conhecer determinadas propostas atuais que podem mimetizar-se em a dinâmica do discipulado missionário e deter, até fazê-lo fracassar, o processo de

Conversão Pastoral.
1. A ideologização da mensagem evangélica. É uma tentação que se verificou na Igreja desde o início: procurar uma hermenêutica de interpretação evangélica fora da própria mensagem do Evangelho e fora da Igreja.

Um exemplo: a dado momento, Aparecida sofreu essa tentação sob a forma de assepsia. Foi usado, e está bem, o método de “ver, julgar, agir”. A tentação se encontraria em optar por um “ver” totalmente asséptico, um “ver” neutro, o que não é viável. O ver está sempre condicionado pelo olhar. Não há uma hermenêutica asséptica. Então a pergunta era: Com que olhar vamos ver a realidade? Aparecida respondeu: Com o olhar de discípulo. Assim se entendem os números 20 a 32. Existem outras maneiras de ideologização da mensagem e, atualmente, aparecem na América Latina e no Caribe propostas desta índole. Menciono apenas algumas:

a) O reducionismo socializante. É a ideologização mais fácil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até a categorização marxista.
b) A ideologização psicológica. Trata-se de uma hermenêutica elitista que, em última análise, reduz o “encontro com Jesus Cristo” e seu sucessivo desenvolvimento a uma dinâmica de autoconhecimento.
Costuma verificar-se principalmente em cursos de espiritualidade, retiros espirituais, etc. Acaba por resultar numa posição imanente autorreferencial. Não tem sabor de transcendência, nem portanto de missionariedade.
c) A proposta gnóstica. Muito ligada à tentação anterior. Costuma ocorrer em grupos de elites com uma proposta de espiritualidade superior, bastante desencarnada, que acaba por desembocar em posições pastorais de “quaestiones disputatae”. Foi o primeiro desvio da comunidade primitiva e reaparece, ao longo da história da Igreja, em edições corrigidas e renovadas. Vulgarmente são denominados “católicos iluminados” (por serem atualmente herdeiros do Iluminismo).
d) A proposta pelagiana. Aparece fundamentalmente sob a forma de restauracionismo. Perante os males da Igreja, busca-se uma solução apenas na disciplina, na restauração de condutas e formas superadas que, mesmo culturalmente, não possuem capacidade significativa. Na América Latina, costuma verificar-se em pequenos grupos, em algumas novas Congregações Religiosas, em tendências para a “segurança” doutrinal ou disciplinar. Fundamentalmente é estática, embora possa prometer uma dinâmica para dentro: regride. Procura “recuperar” o passado perdido.

2. O funcionalismo. A sua ação na Igreja é paralisante. Mais do que com a rota, se entusiasma com o “roteiro”. A concepção funcionalista não tolera o mistério, aposta na eficácia. Reduz a realidade da Igreja à estrutura de uma ONG. O que vale é o resultado palpável e as estatísticas. A partir disso, chega-se a todas as modalidades empresariais de Igreja. Constitui uma espécie de “teologia da prosperidade” no organograma da pastoral.

3. O clericalismo é também uma tentação muito atual na América Latina. Curiosamente, na maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade viciosa: o sacerdote clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo. O fenômeno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade adulta e de liberdade cristã em boa parte do laicato da América Latina: ou não cresce (a maioria), ou se abriga sob coberturas de ideologizações como as indicadas, ou ainda em pertenças parciais e limitadas. Em nossas terras, existe uma forma de liberdade laical através de experiências de povo: o católico como povo. Aqui vê-se uma maior autonomia, geralmente sadia, que se expressa fundamentalmente na piedade popular. O capítulo de Aparecida sobre a piedade popular descreve, em profundidade, essa dimensão. A proposta dos grupos bíblicos, das comunidades eclesiais de base e dos Conselhos pastorais está na linha de superação do clericalismo e de um crescimento da responsabilidade laical.

Poderíamos continuar descrevendo outras tentações contra o discipulado missionário, mas acho que estas são as mais importantes e com maior força neste momento da América Latina e do Caribe.

Algumas orientações eclesiológicas
1.
O discipulado-missionário que Aparecida propôs às Igrejas da América Latina e do Caribe é o caminho que Deus quer para “hoje”. Toda a projeção utópica (para o futuro) ou restauracionista (para o passado) não é do espírito bom. Deus é real e se manifesta no “hoje”. A sua presença, no passado, se nos oferece como “memória” da saga de salvação realizada quer em seu povo quer em cada um de nós; no futuro, se nos oferece como “promessa” e esperança. No passado, Deus esteve lá e deixou sua marca: a memória nos ajuda encontrá-lo; no futuro, é apenas promessa… e não está nos mil e um “futuríveis”. O “hoje” é o que mais se parece com a eternidade; mais ainda: o “hoje” é uma centelha de eternidade. No “hoje”, se joga a vida eterna.

O discipulado missionário é vocação: chamada e convite. Acontece em um “hoje”, mas “em tensão”. Não existe o discipulado missionário estático. O discípulo missionário não pode possuir-se a si mesmo; a sua imanência está em tensão para a transcendência do discipulado e para a transcendência da missão. Não admite a autorreferencialidade: ou refere-se a Jesus Cristo ou refere-se às pessoas a quem deve levar o anúncio dele. Sujeito que se transcende. Sujeito projetado para o encontro: o encontro com o Mestre (que nos unge discípulos) e o encontro com os homens que esperam o anúncio.

Por isso, gosto de dizer que a posição do discípulo missionário não é uma posição de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias… incluindo as da eternidade no encontro com Jesus Cristo. No anúncio evangélico, falar de “periferias existenciais” descentraliza e, habitualmente, temos medo de sair do centro. O discípulo-missionário é um descentrado: o centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais.

2. A Igreja é instituição, mas, quando se erige em “centro”, se funcionaliza e, pouco a pouco, se transforma em uma ONG. Então, a Igreja pretende ter luz própria e deixa de ser aquele “mysterium lunae” de que nos falavam os Santos Padres.
Torna-se cada vez mais autorreferencial, e se enfraquece a sua necessidade de ser missionária. De “Instituição” se transforma em “Obra”. Deixa de ser Esposa, para acabar sendo Administradora; de Servidora se transforma em “Controladora”. Aparecida quer uma Igreja Esposa, Mãe, Servidora, facilitadora da fé e não controladora da fé.

3. Em Aparecida, verificam-se de forma relevante duas categorias pastorais, que surgem da própria originalidade do Evangelho e nos podem também servir de orientação para avaliar o modo como vivemos eclesialmente o discipulado missionário: a proximidade e o encontro. Nenhuma das duas é nova, antes configuram a maneira como Deus se revelou na história. É o “Deus próximo” do seu povo, proximidade que chega ao máximo quando Ele encarna. É o Deus que sai ao encontro do seu povo. Na América Latina e no Caribe, existem pastorais “distantes”, pastorais disciplinares que privilegiam os princípios, as condutas, os procedimentos organizacionais… obviamente sem proximidade, sem ternura, nem carinho.
Ignora-se a “revolução da ternura”, que provocou a encarnação do Verbo. Há pastorais posicionadas com tal dose de distância que são incapazes de conseguir o encontro: encontro com Jesus Cristo, encontro com os irmãos. Este tipo de pastoral pode, no máximo, prometer uma dimensão de proselitismo, mas nunca chegam a conseguir inserção nem pertença eclesial. A proximidade cria comunhão e pertença, dá lugar ao encontro. A proximidade toma forma de diálogo e cria uma cultura do encontro. Uma pedra de toque para aferir a proximidade e a capacidade de encontro de uma pastoral é a homilia. A pastoral é, em última instância, o exercício de maternidade da Igreja. Como são as nossas homilias? Estão próximas do exemplo de Nosso Senhor, que “falava como quem tem autoridade”, ou são meramente prescritivas, distantes, abstratas?

4. Quem guia a pastoral, a Missão Continental (seja programática seja paradigmática), é o bispo. Ele deve guiar, que não é o mesmo que comandar. Além de assinalar as grandes figuras do episcopado latino-americano que todos nós conhecemos, gostaria de acrescentar aqui algumas linhas sobre o perfil do Bispo, que já disse aos Núncios na reunião que tivemos em Roma. Os bispos devem ser pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham “psicologia de príncipes”. Homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja sem viver na expectativa de outra. É o fenômeno dos bispos polígamos. Estão casados com uma, mas esperando ver quando terão a promoção. Homens capazes de vigiar sobre o rebanho que lhes foi confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido: vigiar sobre o seu povo, atento a eventuais perigos que o ameacem, mas sobretudo para cuidar da esperança: que haja sol e luz nos corações. Homens capazes de sustentar com amor e paciência os passos de Deus em seu povo. E o lugar onde o bispo pode estar com o seu povo é triplo: ou à frente para indicar o caminho, ou no meio para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas, ou então atrás para evitar que alguém se desgarre mas também, e fundamentalmente, porque o próprio rebanho tem o seu olfato para encontrar novos caminhos.
Não quero juntar mais detalhes sobre a pessoa do bispo, mas simplesmente acrescentar, incluindo-me a mim mesmo nesta afirmação, que estamos um pouco atrasados no que a Conversão Pastoral indica. Convém que nos ajudemos um pouco mais a dar os passos que o Senhor quer que cumpramos neste “hoje” da América Latina e do Caribe. E seria bom começar por aqui.

Agradeço-lhes a paciência de me ouvirem. Desculpem a desordem do discurso e lhes peço, por favor, para tomarmos a sério a nossa vocação de servidores do povo santo e fiel de Deus, porque é nisso que se exerce e mostra a autoridade: na capacidade de serviço. Muito obrigado!