Papa encoraja jovens a serem protagonistas de mudanças no mundo

RIO DE JANEIRO, 27 Jul (Reuters) – O papa Francisco encorajou a juventude a ser protagonista das mudanças na sociedade e dar uma “resposta cristã” às inquietudes sociais e políticas do mundo, durante seu discurso a uma multidão de jovens na orla de Copacabana neste sábado.

“Tenho seguido atentamente as notícias sobre tantos jovens que, em muitas partes do mundo, têm saído pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna”, disse o papa a um público estimado em até 3 milhões de pessoas durante cerimônia da Jornada Mundial da Juventude.

“São jovens que querem ser protagonistas da mudança… A vocês também peço que sejam protagonistas dessa mudança, sigam superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às inquietudes sociais e políticas que vão se apresentando em diversas partes do mundo. Peço que sejam construtores do futuro, que se envolvam no trabalho por um mundo melhor”, acrescentou o pontífice.

A organização da JMJ disse que mais de três milhões de pessoas participaram da Vigília de Oração com o papa, de acordo com informação da Prefeitura do Rio, superando o recorde anterior de público no local, de 2,3 milhões de pessoas no Réveillon. O Vaticano disse que a estimativa da Igreja é de mais de 2 milhões de pessoas.

Francisco, no sexto dia de sua viagem ao país para presidir as celebrações da JMJ, já havia feito referência mais cedo neste sábado aos protestos que levaram milhares de pessoas às ruas do país no mês passado para protestar contra a baixa qualidade dos serviços públicos e corrupção, entre outros temas.

Falando a líderes culturais e empresariais no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o papa argentino pediu aos líderes para não ficarem surdos diante “dos gritos por justiça (que) continuam ainda hoje” e fez uma cobrança por diálogo entre as partes.

O discurso na praia de Copacabana, onde milhares de jovens vão participar de uma vigília nesta noite, foi acompanhado por uma multidão de jovens, que aplaudiram e se emocionaram com as palavras do papa. O pontífice ainda fez os fiéis repetirem em coro “sim, queremos construir a Igreja de Cristo.”

Em seu texto preparado, ele havia acrescentado que os jovens devem protestar “de forma ordenada, pacífica e responsável”, mas improvisou e não leu essa parte de seu discurso.

O Vaticano diz que quando o papa se afasta do texto preparado anteriormente e omite algumas frases, seus pensamentos são considerados válidos, no entanto.

Como tem acontecido ao longo da visita ao Brasil, o papa teve uma recepção calorosa do povo ao percorrer de papamóvel um trajeto de três quilômetros na orla. Ele parou o veículo várias vezes para abençoar bebês e também beijou uma bandeira da Argentina que lhe foi jogada no papamóvel.

VIGÍLIA NA PRAIA

Inicialmente, o evento deste sábado seria realizado em Guaratiba, na zona oeste do Rio, mas a chuva que atingiu a cidade no início desta semana transformou o chamado Campus Fidei (Campo da Fé) em um verdadeiro lamaçal. Tanto a vigília como a missa campal, no domingo, foram transferidos de última hora pelos organizadores para Copacabana.

Francisco disse que a mudança pode ter sido ocasionada pela vontade de Deus. “Não estaria o Senhor querendo nos dizer que o verdadeiro campo da fé, o verdadeiro campus fidei, não é um lugar geográfico, mas sim que somos nós? Sim! Cada um de nós, cada um de vocês”, disse o papa aos jovens, que acamparam nas areias de Copacabana desde a manhã e que aplaudiram o papa diversas vezes.

Jovens que estavam preparados para a vigília em Guaratiba tiveram de mudar a programação devido ao cancelamento, em mais uma dor de cabeça em um evento marcado por problemas no transporte público.

Em princípio, os fiéis não seriam autorizados a pernoitar em Copacabana, mas depois o Prefeitura do Rio decidiu autorizá-los a passar a noite no local. O prefeito Eduardo Paes permitiu, inclusive, o uso de barracas de acampamento, o que era proibido até mesmo para o Campus Fidei.

“Eu estava preferindo Guaratiba pela questão da segurança, de ser um local fechado apenas para os peregrinos inscritos na JMJ, mas agora vendo que Copacabana está desse jeito acho que vai ser melhor aqui. Na praia fica muito mais legal”, disse Fernanda Leonardi, de 23 anos, que trabalha como secretária em Pouso Alegre (MG).

Montando acampamento para um grupo de 100 pessoas de sua paróquia no calçadão da praia, o polonês Tymoteusz Ksiazkiewicz, de 25 anos, elogiou a segurança montada para a vigília. “Eu estava preocupado que poucas pessoas fossem dormir na praia e que a gente ficasse exposto, mas parece que muita gente vai ficar, e tem soldado em todo lugar”, disse.

Sete mil homens das Forças Armadas que seriam empregados em Guaratiba foram deslocados para Copacabana, somando-se ao efetivo policial que já estava em ação no bairro.

RELIGIÃO E FUTEBOL

Em visita ao Brasil, sua primeira viagem internacional desde que foi eleito em março, o papa também abordou o futebol para encorajar a juventude da Igreja ao pedir que os jovens se preparem para seguir Jesus da mesma forma que os atletas precisam treinar para os jogos.

“O que faz um jogador quando é chamado para fazer parte de uma equipe? Precisa treinar e treinar muito. Assim é a nossa vida de discípulos do Senhor”, afirmou.

O papa voltará a Copacabana no domingo de manhã para a Missa de Envio da Jornada Mundial da Juventude, com a presença de autoridades, incluindo a presidente Dilma Rousseff. O pontífice embarca de volta para Roma no domingo à tarde.

A JMJ é um evento realizado a cada dois anos em uma cidade diferente para reunir jovens católicos de diversas partes do mundo. O evento deste ano no Rio de Janeiro marcou a volta do papa argentino à América Latina pela primeira vez em seu pontificado.

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